agosto 29, 2010

Eu queria...

Eu queria tanta coisa. Ao mesmo tempo, não queria nada diferente. Quero tudo exatamente como está, não troco nada. Mas algumas coisas não me fariam mal agora. Não mesmo. Sem o clichê de querer um mundo melhor, mais segurança, mais saúde e educação. Até porque não estou no horário eleitoral gratuito. Mas eu queria.

Eu queria uma espreguiçadeira com almofadas listradas de azul e branco, à beira da piscina, ou em uma praia calma. Eu queria um solzinho morno e uma brisa fresca. Um óculos escuros e um livro.

Eu queria quilos a menos. Eu queria metros a mais.

Eu queria muitos armários e muitas caixas, em um closet de novela.

Eu queria um I Pad.

Eu queria um jogo de pincéis da MAC.

E queria fazer um cruzeiro.

Eu queria gostar de acordar cedo.

Eu queria ser viciada em atividade física.

Eu queria falar francês.

Eu queria unhas mais fortes.

Eu queria gostar de alface e rúcula.

Eu queria flores na mesa do café da manhã. Gérberas.

Eu queria viajar mais.

Eu queria escrever um livro.

Eu queria uma Birkin.

Eu queria.

julho 12, 2010

A Copa passou.

Foram raros os dias nestes dois últimos meses em que não se ouviram algumas palavras e expressões. Pessoas também foram elevadas ao posto de assunto do mês em qualquer lugar no qual se buscasse informação. Em uma copa barulhenta e de poucos gols, os destaques foram muito mais negativos do que positivos. Fala-se muito mais do temperamento do Felipe Mello do que da tranquilidade do Gilberto Silva. Erros de arbitragem. Erros, não. Tragédias da arbitragem. Uma copa de cheia de trocadilhos sobre a vuvuzela, na qual cada jogo era narrado minuto a minuto por milhões de pessoas via twitter. Não se fala em quem deu sorte, mas o Mick Jagger virou assunto pelo suposto pé frio. Até agora não vi nenhum programa de TV com o ranking dos gols e lances mais bonitos. Será que eu estou vendo menos TV do que nas últimas copas? O fato é que eu vi vários programas com os lances mais violentos e os gols perdidos.  Na verdade, acho que perderam mais gols do que fizeram. Muito mais. Paradoxo interessante foi a chegada das seleções brasileira e argentina em seus respectivos países. Aqui, gritos de "burro" para o técnico. Lá, gritos de "Deus". A jabulani que virou jobulani na final também deu o que falar. Apareceu mais do que qualquer jogador. Sem muita paixão, infelizmente, somos obrigados a reconhecer: De quem foi a Copa de 2010? Do polvo.

maio 13, 2010

Eu acredito em milagres.

Ontem, assistindo a um canal que nem sei mais qual é, ouvi um entrevistador perguntar a uma celebridade se ela acreditava em milagres. Sem sequer ouvir a resposta da entrevistada, eu me peguei pensando se EU acredito. E a minha resposta é sim. Eu acredito em milagres. E acredito porque, para mim, um milagre é algo maravilhoso, indescritível e que faz o meu coração pular de alegria ou descansar em harmonia. E aí, eu poderia entrar nos clichê de que "a vida é um milagre", " a natureza é um milagre", "o nascimento de um bebê é um milagre". Não discordo, mas os meus milagres chegam a ser bem mais simples.
Estar em casa à noite com meu marido e minhas filhas tem sido um milagre. Receber pessoas queridas em casa também. Chegar à minha mesa de trabalho todos os dias. Tomar um copo de água cheio de gelo. Me cobrir com um edredom macio. Acompanhar o desempenho das minhas pequenas na escola. Visitar a minha avó. Tomar o caldo de palmito da minha sogra. Receber massagem da minha filha Laura. Assistir aos meus seriados preferidos com meu marido. Tomar um banho morno. Passar perfume. Lembrar da última viagem.
Será que eu confundi o significado de milagre? Meus milagres estão muito "possíveis"?
Quer saber? Não ligo. Sou feliz com os meus milagres. Cada dia mais.

abril 24, 2010

Corpo e Alma

Depois de  tempo sem conseguir escrever, minha alma pede que eu me derrame em palavras e meu corpo permite, como há muito não fazia. Doenças do corpo que nascem na alma. Doenças da alma que se externam no corpo. Culpa, medo, covardia, falta, descontrole, passividade, permissividade. Palavras que escrevo para permitir que meu  corpo e  alma se livrem delas. Palavras que eu quero riscar do meu repertório pessoal. Palavras que já estão sendo substituídas por outras que permitam a comunhão do meu corpo e da minha alma. As palavras de agora serão coragem, controle, razão, cuidado, sinceridade, explosão, verdade, plenitude, eu, nós, vida, e tantas outras cujo significado eu pareço conhecer somente quando abro o dicionário.
Sim que realmente quer dizer sim. Não quando for necessário ou quando assim eu desejar. Eu. Nós. Vida..
Mudança. Corpo e Alma.
Corpo e Alma em perfeita e plena comunhão.

janeiro 14, 2010

Minha Fama de Mau




Projeto lindo que a Paulinha do Canetas Coloridas idealizou. Segue o meu livro de Janeiro, confirme combinado.



Minha Fama de Mau – Erasmo Carlos

Eu adoro biografias. Principalmente por aquelas que nos apresentam uma pessoa ligada a momentos importantes da vida cultural e política do nosso país. Sempre me apaixono pela história, pelos personagens, principal e secundários e pelos sentimentos ali expostos. Foi assim quando li as biografias de Garrincha, Barão de Mauá, Maria Callas, Tim Maia, Carlos Drummond de Andrade e tantas outras. E não foi diferente com Erasmo Carlos. Uma história interessante, ligada a importantes movimentos no país, não só musicais, mas culturais, sociais e políticos. Não se trata de nenhuma obra prima literária, a narrativa é simples e despida de técnicas especiais, mas ganha o leitor pela simplicidade e pelos risos que arranca no decorrer das suas páginas.
Me apaixonei pela linda história de amor de Erasmo e Narinha, interrompida pela morte precoce dela, pelo relacionamento puro de Erasmo com sua mãe e com seus filhos e pelas amizades muitas vezes estranhas que ele coleciona ao longo de sua vida. A história de algumas composições, a versão própria de alguns boatos que eu ouvia desde os meus 07 anos de idade, o caminho muitas vezes tortuoso para chegar ao reconhecimento do público são relatados de forma leve e cativante, como por exemplo a briga forjada com o amigo Carlos Imperial para o lançamento do sucesso e hino de uma época “Pode vir quente que eu estou fervendo”, o sufoco passado por Erasmo e vários amigos (dentre eles Tim Maia) quando resolveram alisar as madeixas com uma mistura quase-letal idealizada pelo vizinho Timbó, batizada de Timbolina.
Minha Fama de Mau traz ainda fotos muito interessantes de pessoas que marcaram uma época ao lado de Erasmo Carlos, além de momentos extremamente interessantes que mostram a cultura de uma época que mudou a forma de agir da juventude brasileira. Boa Opção!

dezembro 22, 2009

Para-Quedas.


Eu tenho um Para-Quedas. Há muito que ele exerce essa função em minha vida. Nunca precisei e nunca, na verdade, tive vontade de usar um para-quedas fora do chão, mas, sem me levantar um centímetro da terra, o meu para-quedas me socorre sempre. E me surpreende todo dia. Já desconfiei, é verdade, que no momento que eu mais precisasse o pára-quedas não se abriria. Aliás, acho que todo para-quedista deve ter esse medo, em cada vôo, ainda que isso nunca tenha lhe acontecido.

Já desconfie que, mesmo se abrindo, talvez não fosse forte o bastante para aguentar o peso, ou que alguma coisa pudesse impedi-lo de exercer sua função. Mas o meu para-quedas não deixou de se abrir em nenhum momento, e sempre proporcionando um pouso tranquilo, vitorioso, mesmo nos momentos em que eu não tomei todas as medidas de segurança que deveria, ou nos momentos em que o abri na hora errada.

Cometi vários erros, não é fácil ser para-quedista, mesmo na terra. É preciso treino, coragem, disciplina,ousadia, segurança e confiança. Mas meu para-quedas se manteve firme. Também tive momentos em que precisei cuidar dele, lavar, reformar, dobrar, preparar corretamente. O para-quedista também precisa zelar por seu equipamento. Acho até que zelei demais, por vezes. Eu deveria ter compreendido que o meu para-quedas não é qualquer um, e não precisa ser poupado para funcionar corretamente.

De qualquer forma, eu tenho um para-quedas. Ele tem nome e sobrenome. E não poderia ser melhor.