agosto 09, 2009

Pai.

Ele era lindo. E cheiroso. E usava pullovers de linha azul marinho com gola V. Calmo, paciente. Flamenguista roxo. Gostava de carro novo. Em sua mesa, na empresa aonde trabalhava, tinha dois porta-retratos, iguais e cheios de quadradinhos. Um era dourado, com a minha foto. O outro, prateado com a foto do meu irmão. Ele construiu uma capelinha de São Francisco de Assis no pátio da empresa, com um laguinho artificial pequenino em volta e peixinhos. Jogava vídeo-game como ninguém. Durante o tempo em que ficou em casa, já doente, batia todos os recordes do River-Raid, Atari.

Nunca o vi brigando. Nunca o vi chorando. Nunca o vi com raiva. Talvez porque ele era mesmo perfeito, talvez porque não tenha dado tempo para conhecer os seus defeitos. O maior pecado que já o vi cometer era o de fumar alguns cigarros Charm por dia. Mas...Era o início dos anos 80, era quase impossível que fosse diferente.

Jogava baralho. E ganhava todas. Também gostava de "Bocha" ou "Bola de Pau". E cantava sempre para mim: "ô, coisinha tão bonitinha do pai..." . A ùltima vez que o vi, já no hospital, ele nos deu, a mim e ao meu irmão, um bombom Serenata.

E eu sinto falta. Muita. Não sei se passo um dia da minha vida sem lembrar que ele esteve comigo por oito anos. Mas deixou muita coisa boa para lembrar. A tristeza de não poder falar "Pai" é engolida pela alegria de ter tido um pai tão maravilhoso. Ele não viu a minha formatura, o meu casamento, o nascimento das minhas filhas. Ou, talvez, tenha participado de tudo isso mais do que qualquer outra pessoa.

Não sei, mas tenho a impressão de que, por tudo isso, hoje, meu choro pareça mais de alegria do que de tristeza...




Essa ilustração linda foi a Nina que fez, lá no blog dela que é uma delícia de ler e de ver. Tomei emprestada, Nina, você deixa?

agosto 06, 2009

Olha só como as coisas mudam...

Antes de ter filhos, eu adorava o frio. Eu não me preocupava com a hora de dormir, pois no outro dia poderia compensar as horas perdidas. Eu não me preocupava com o que fazer no fim de semana, pois as coisas sempre apareciam e tudo era possível. Eu não me preocupava com a geladeira vazia, só com água e refrigerante, porque poderíamos comer fora, se fosse o caso. Eu não planejava as minhas férias, elas aconteciam como tinham que acontecer. Eu não tinha frutas frescas em casa a qualquer dia. Eu tinha nojo de tudo e nunca consegui ver sangue. Eu não cogitava morar em uma casa, apartamentos sempre me pareceram mais práticos e seguros. Eu sempre tive aversão a qualquer tipo de bicho, principalmente cachorro. Eu nunca me preocupei com o desmatamento, a extinção das espécies e a preservação da natureza.

Hoje eu prefiro o calor. Mais liberdade, menos gripes e resfriados, mais banho de mangueira. Me preocupo com a hora de dormir, porque sei que precisarei estar inteira no outro dia. Me preocupo com o fim de semana, tentando fazer coisas diferentes. Preciso ir ao supermercado com mais freqüência, afinal, o lanche da escola precisa ser balanceado e estar sempre à mão. Uma das maiores preocupações na hora de planejar as férias é se o destino tem atrações ou atividades para crianças. Eu posso pegar qualquer coisa na mão, limpar qualquer coisa, se for por elas. Moro em uma casa com jardim, espaço e uma casinha de bonecas cor-de rosa. Alíás, moro em uma casa com jardim, espaço, uma casinha de bonecas cor-de-rosa e uma cachorrinha que não pode me ver sentada que pula no meu colo. Pérola é o nome dela.

Olha só como as coisas mudam...

julho 23, 2009

O Senhor do Supermercado.

Um elogio pode mudar o dia de alguém. Quem quer que seja. Às vezes muda até uma vida, pelo menos por hora. Não só para quem recebe o elogio, mas também para quem faz. O elogio provoca o sorriso, a retribuição, a troca, o bem.

Um dos sorrisos mais bonitos que nas últimas semanas foi de um senhor que, ao encontrar meu marido no supermercado, agradeceu com um carinho enorme o elogio que havia sido feito a ele para o dono do estabelecimento em que trabalha. Acho tão bonito saber receber um elogio! Poucas pessoas sabem. A maioria de nós acaba recebendo um elogio com um comentário depreciativo imediato em troca. “Meu cabelo, bonito? Nossa, está tão sujo!”, “Ah, mas essa blusa é tão velha!” .

O senhor do supermercado soube receber um elogio. Soube reconhecer, sem soberba, que é realmente dedicado, que realmente procura sempre estar com um sorriso nos lábios, enfim, sabe que o elogio foi verdadeiro. Mas sabe também que é muito bom ouvir isso de alguém. E acabou fazendo mais feliz não só o dia dele, mas também o nosso. O do meu marido, que recebeu o agradecimento e o meu, pelos simples fato de ter presenciado aquele sorriso. Deu vontade de sair elogiando. Deu vontade de sair sorrindo. Sorrimos, todos. E saímos. Mas o sorriso ficou. A mais pura verdade, como andam dizendo há muito: Gentileza gera gentileza.

julho 19, 2009

te amo bom recomeço

mae

eu quero te dar um bom recomeço por que sei que voce nao parou



beijos laura

19 07 09

julho 16, 2009

Tempo, escrita e vida.

Um tempo sem escrever. Um acúmulo de palavras e sentimentos. Um tempo sem tempo para mim quando o tempo parecia ter aumentado. Quando mais parecia ter tempo, ele não se mostrou. Tanto para dizer, tão pouco dito. As palavras, aos poucos, vão tomando forma. Os sentimentos que já se formaram vão, também aos poucos, se mostrando. Velados e revelados por palavras, que, um dia, foram letras que, um dia, foram sentimentos e impressões que, sempre, estarão comigo. E eu com eles. Tenho gosto pelo tempo. Tenho gosto pela escrita e pela vida. Tempo, escrita e vida. Os três juntos. Melhor assim.

junho 08, 2009

Guarda-chuva

Ele descobre e me mostra. Nos mostra, porque as pequenas já fazem parte desse circuito. E a gente vai se apaixonando. Se apaixona, se apaixona, e aí, chega um dia que não consegue mais tirar da cabeça. Fica tocando direto no ouvido, na hora do banho, trabalhando e até naquele momento do quase-dormir.

Quem manda ter marido com bom gosto musical?

No meu guarda-chuva eu te levo, amor, SEMPRE.

 Paula Lima - Meu guarda chuva