Nunca o vi brigando. Nunca o vi chorando. Nunca o vi com raiva. Talvez porque ele era mesmo perfeito, talvez porque não tenha dado tempo para conhecer os seus defeitos. O maior pecado que já o vi cometer era o de fumar alguns cigarros Charm por dia. Mas...Era o início dos anos 80, era quase impossível que fosse diferente.
Jogava baralho. E ganhava todas. Também gostava de "Bocha" ou "Bola de Pau". E cantava sempre para mim: "ô, coisinha tão bonitinha do pai..." . A ùltima vez que o vi, já no hospital, ele nos deu, a mim e ao meu irmão, um bombom Serenata.
E eu sinto falta. Muita. Não sei se passo um dia da minha vida sem lembrar que ele esteve comigo por oito anos. Mas deixou muita coisa boa para lembrar. A tristeza de não poder falar "Pai" é engolida pela alegria de ter tido um pai tão maravilhoso. Ele não viu a minha formatura, o meu casamento, o nascimento das minhas filhas. Ou, talvez, tenha participado de tudo isso mais do que qualquer outra pessoa.
Não sei, mas tenho a impressão de que, por tudo isso, hoje, meu choro pareça mais de alegria do que de tristeza...

Essa ilustração linda foi a Nina que fez, lá no blog dela que é uma delícia de ler e de ver. Tomei emprestada, Nina, você deixa?