junho 16, 2011

Igualdade desigual.

É coisa de mulher mesmo. Com o perdão das feministas de plantão, a igualdade entre os sexos não pode ser exigida. Não pode ser exigida porque não existe. Simples assim. Respeito plenamente  quem possui outra opinião, mas homens e mulheres são, definitivamente, muito, mas muito diferentes. Nas aulas da faculdade, uma das primeiras coisas que aprendi no Curso de Direito foi o Princípio da Igualdade, ou seja, todos são iguais perante a Lei e não pode haver distinção de qualquer natureza. Claro, depois de aprendermos a regra, vem a exceção: Para que exista, realmente, a igualdade, precisamos tratar os iguais com igualdade e os desiguais com desigualdade. Princípio que qualquer aluno do primeiro período do Curso de Direito conhece. Diante disso, mulheres e homens não podem ser tratados da mesma forma. Não mesmo.

Ao pararmos em um posto de gasolina para abastecer o carro hoje pela manhã, meu marido, depois de fazer aquele cálculo que todo homem conhece, me mostrou, cheio de orgulho, um número na calculadora do celular: 8,677859, ao algo parecido. Eu, do alto da minha desigualdade e, não querendo estragar o seu momento que parecia tão glorioso, apenas sorri. Ele continuou dizendo que a média do carro foi muito boa e que, em um outra viagem que fez a média havia sido um outro número enorme desses. E ficou alguns bons minutos falando sobre o que influencia o gasto de combustível, etc, etc, etc. Eu ouvia tudo, mas, ao mesmo tempo, pensava sobre essas diferenças que as pessoas teimam em tentar descaracterizar. Eu dirijo, o combustível acaba, eu abasteço. Acho um absurdo o preço do combustível, reclamo, mas abasteço e continuo. Ele não. Faz todos os cálculos, divide uma coisa pela outra, compara com o último abastecimento, também acha um absurdo o preço do combustível, reclama, mas também abastece e também continua.

E eu, por meu turno, quero a atenção dele para me dizer se aquela cor de base está muito clara, qual sapato fica melhor com aquele vestido, se as luzes no meu cabelo ficaram boas. Vejo claramente que ele pensa: Que luzes? Não vejo nenhuma diferença. Mas ele diz que sim, ficaram boas.

Eu não entendo porque ele precisa comprar todas as ferramentas necessárias (e outras nem tão necessárias assim) para fazer o jardim e lavar o carro, se, normalmente, paga alguém para fazer as duas coisas. Ele não entende porque eu preciso de uma bolsa estruturada de tamanho médio para este inverno. Eu não entendo como ele pode perder horas a fio em frente à televisão assistindo perseguições de carro, ou os acidentes mais trágicos do mundo. Ele não entende para que eu quero um sapato rosa pink e outro rosa claro, para que tanta maquiagem, para que tanto creme. Eu não entendo a preguiça que ele tem de se barbear, ele não entende porque eu tenho preguiça de viajar   (na verdade, de arrumar malas).

Como ele consegue ficar horas conversando sobre os cilindros do carro, turbo, bi-turbo, qual velocidade que o carro alcança em qual tempo? Na minha opinião, se temos um limite de velocidade para ser respeitado no trânsito e na estrada, para que ter um carro que corra mais do que isso?

Como eu consigo ficar horas conversando sobre esmaltes, tons de blush, decoração e um hidratante que mantém a pele hidratada por até 24 horas? Na opinião dele, se eu vou tomar um banho em, no máximo, oito horas e passar novamente um hidratante, para que um que hidrate por 24?

Ele não entende como eu posso gostar tanto (e precisar) de um chocolate. Eu não entendo como ele pode gostar tanto (e precisar) de um vinho. Eu não concordo que ele compre uma moto. Ele não concorda que eu compre outra bolsa. Sim, porque a essa altura, já não quero mais a estruturada marrom de alguns parágrafos atrás. Coisa de mulher. Não acredito que exista alguma mulher no mundo que não goste de ser cuidada, que não goste de receber flores, que não goste de roupa nova, perfume diferente.

Somos iguais? Perante a Lei, sim. Perante o coração um do outro somos completamente diferentes. Entender a diferença é tarefa para poucos, exige desapego, concessão, ou, às vezes, pelo menos um sorriso de cumplicidade, que independe de qualquer nível de compreensão e entendimento.

5 comentários:

Laura Gestalt disse...

Gostei muito. O texto retrata bem a realidade da (des)igualdade entre homens e mulheres.

Eneida disse...

Amiga querida!!!
Como sempre, perfeito o texto!
Sim, aprendemos sobre o princípio da igualdades na faculdade,
E apreendemos que os desiguais devem ser tratados na medida em que se desigualam.
Não, os homens e as mulheres não são iguais, nem que queiram e preguem as feministas.
Que sejamos reconhecidas na medida em que nos desigualamos dos homens, reconhecidas nossas potencialidades e valores.
Beijo, amiga!
http://tengavolantes.blogspot.com

Nina disse...

rsrs, é assim mesmo Rê!
Impressionante.
Outro dia mesmo escrevi sobre isso me perguntando, nao é mesmo estranho que nao tenhamos nada em comum com aquele com o qual temos uma vida em comum?

Nós somos terrivelmente diferentes... acho que é isso que nos completa, né?

Bjs meu amoreco!!

Anônimo disse...

Renata,
estou impressionada com seus textos. Mexeram muito comigo e me identifiquei muito com eles. Virei uma fã, mesmo de longe. Um abraço.

vida *...* disse...

sou apaixonada pelos seus textos !!!! faça uma visitinha no meu blog ...
ta mto fofo !!!!